Nações em desenvolvimento pressionam por ação climática e alívio da dívida na cúpula do G20 na África do Sul
Na recente cúpula do G20 realizada na África do Sul, as nações em desenvolvimento aproveitaram a ocasião para pressionar os líderes mundiais a agir sobre questões cruciais. A ação climática e a alta dívida, que afetam diretamente o mundo em desenvolvimento, estiveram no topo da agenda.
Além disso, essas nações buscaram se posicionar como parceiros econômicos valiosos, com muito a oferecer em setores como mineração, tecnologia e inteligência artificial, entre outros.
Reconhecimento da importância da inclusão e igualdade
A África do Sul, que está passando a presidência rotativa do G20 para os EUA, foi elogiada por promover uma agenda inclusiva que prioriza as necessidades das nações mais pobres, concentrando-se na desigualdade global.
O primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, ressaltou a importância do alívio da dívida se traduzir em investimentos que beneficiem as pessoas. “Na Etiópia, aprendemos que a inclusão não é caridade, é eficiência”, declarou.
A presidente da Namíbia, Netumbo Nandi-Ndaitwah, pediu condições de financiamento justas para as nações em desenvolvimento. Ela citou o exemplo de seu país, que recentemente pagou sua dívida de US$ 750 milhões, mas ainda é considerado arriscado pelas instituições financeiras internacionais.
Impacto das mudanças climáticas e a necessidade de mudança
O primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Michael Holness, refletiu sobre os desastres naturais alimentados pelo clima e seu impacto nas nações em desenvolvimento. Ele mencionou o furacão Melissa, que devastou seu país, salientando que um único evento externo pode desfazer anos de progresso.
Ngozi Okonjo-Iweala, diretora-geral da Organização Mundial do Comércio, instou os líderes africanos a pensar cuidadosamente sobre o futuro do comércio com outros países ao adotar políticas, enfatizando a importância de passar da exportação de matérias-primas para a produção de produtos acabados.
Nabil Ahmed, diretor de justiça econômica e racial do think tank Oxfam, destacou a importância da igualdade, afirmando que era a primeira vez que uma agenda do G20 tinha a desigualdade como um de seus pilares centrais.
“O mundo reconhece que temos uma emergência climática. Agora é hora de reconhecermos que temos uma emergência de desigualdade também”, afirmou.