EUA impõem sanções a alto funcionário do Haiti acusado de apoiar gangues
Os Estados Unidos impuseram restrições de visto a Fritz Alphonse Jean, membro do conselho presidencial de transição do Haiti, acusando-o de apoiar gangues e outras organizações criminosas, uma ação que se espera agravar a instabilidade política do país.
Jean, economista e ex-governador do banco central que já serviu como presidente do conselho presidencial de transição, confirmou que ele era o alvo das sanções impostas pelo governo americano. Ele rejeitou as acusações e reafirmou seu compromisso em combater a corrupção e as gangues que controlam grande parte do território haitiano.
Pressões internacionais e instabilidade interna
No Haiti, onde as gangues controlam 90% da capital e extensas áreas do centro do país, o conselho presidencial é alvo de críticas por supostamente buscar permanecer no poder além do prazo estabelecido, que termina em 7 de fevereiro. Além disso, as pressões internacionais por eleições gerais antes da expiração do mandato do conselho se intensificam, mas a violência das gangues torna o cumprimento desse prazo quase impossível.
A pressão também vem dos embaixadores dos EUA e do Canadá, que, segundo Jean, ameaçaram com sanções e cancelamento de vistos se o conselho não desistisse de seus planos de mudar o chefe do governo. Apesar das ameaças, Jean afirmou que o conselho “permanece firme no combate à corrupção, à captura do estado por poucos indivíduos e aos operadores envolvidos no tráfico de drogas, armas e munições”.
Uma década sem eleições e futuro incerto
O Haiti não realiza eleições há quase uma década e está sem presidente desde o assassinato do ex-presidente Jovenel Moïse em julho de 2021. O Conselho Eleitoral Provisório do Haiti estabeleceu datas provisórias para as eleições em agosto e dezembro do próximo ano, mas a instabilidade política e a violência das gangues colocam em dúvida a concretização desses planos.
Nesse cenário de incerteza, a Sunrise Airways, única companhia aérea que oferecia voos domésticos e internacionais para o Haiti, anunciou a suspensão de seus serviços por razões de segurança. A violência das gangues já forçou o fechamento do principal aeroporto internacional do Haiti várias vezes no último ano.
Enquanto isso, o Haiti aguarda uma nova força de supressão de gangues, apoiada pela ONU e liderada pela polícia queniana, que teria o poder de prender membros suspeitos de gangues, recurso que a atual força não possui.

