Morre Viola Ford Fletcher, uma das últimas sobreviventes do Massacre Racial de Tulsa de 1921
Viola Ford Fletcher, reconhecida como uma das últimas sobreviventes do Massacre Racial de Tulsa, em 1921, faleceu aos 111 anos. A mulher, que passou seus últimos anos buscando justiça para o ataque mortal perpetrado por uma multidão branca contra a próspera comunidade negra onde cresceu, morreu cercada por familiares na cidade de Tulsa, Oklahoma.
Uma vida marcada pela luta pelos direitos civis
Viola tinha apenas 7 anos quando o ataque de dois dias começou no distrito de Greenwood, em Tulsa, em 31 de maio de 1921. Este incidente ocorreu após um jornal local publicar um relato sensacionalista sobre um homem negro acusado de agredir uma mulher branca.
A multidão branca reagiu com força esmagadora, matando centenas de pessoas e devastando mais de 30 quarteirões na próspera comunidade conhecida como Black Wall Street. “Eu nunca poderia esquecer os restos carbonizados de nossa comunidade antes próspera, a fumaça subindo ao ar e os rostos aterrorizados de meus vizinhos”, escreveu ela em sua memória de 2023, “Não deixem que enterrem minha história”.
Busca por reparação e reconhecimento
Fletcher, que em 2021 testemunhou perante o Congresso sobre sua experiência, juntou-se ao irmão mais novo, Hughes Van Ellis, e a outra sobrevivente do massacre, Lessie Benningfield Randle, em uma ação judicial em busca de reparações. No entanto, a Suprema Corte de Oklahoma rejeitou a ação em junho de 2024, alegando que suas queixas não se enquadravam na lei de danos públicos do estado.
A cidade tem buscado maneiras de ajudar os descendentes das vítimas do massacre sem fazer pagamentos diretos em dinheiro. Alguns dos últimos sobreviventes, incluindo Fletcher, receberam doações de grupos, mas não obtiveram nenhum pagamento da cidade ou do estado.
O legado de Viola Ford Fletcher
Nascida em Oklahoma em 10 de maio de 1914, Fletcher passou grande parte de sua juventude em Greenwood. Depois de fugir durante o massacre, sua família tornou-se nômade, vivendo em uma tenda enquanto trabalhavam como arrendatários. Fletcher não concluiu seus estudos além do quarto ano.
Apesar das dificuldades, Fletcher construiu uma vida significativa e lutou incansavelmente por justiça até seus últimos dias. Seu legado é uma lição de resistência e coragem, um lembrete constante da necessidade de enfrentar as injustiças históricas e buscar a reparação devida.