Moradores de Bucha se sentem traídos por proposta de paz com anistia
Marcas de balas em igrejas e valas comuns são um lembrete constante do sofrimento vivido pelos moradores do subúrbio de Kyiv, Bucha, durante a ocupação russa. Agora, eles enfrentam uma nova angústia: a proposta de paz liderada pelos Estados Unidos, que prevê uma anistia ampla para os perpetradores dos atos de violência.
Para os sobreviventes de Bucha, onde centenas de ucranianos foram mortos em 2022, essa anistia proposta é vista menos como reconciliação e mais como uma fonte de desilusão. Isso reflete uma preocupação mais ampla na Ucrânia sobre as implicações de absolver soldados e oficiais russos de supostos crimes.
Controversa proposta de paz liderada pelos EUA
A proposta de paz de 28 pontos foi o resultado de negociações secretas entre emissários da Rússia e do presidente dos EUA, Donald Trump. Pelo acordo, a Ucrânia cederia território além da terra atualmente controlada por Moscou, reduziria seu exército e desistiria da adesão à OTAN. Em troca, receberia garantias de segurança internacional e assistência para reconstrução.
No cemitério militar de Bucha, Vira Katanenko, 66 anos, visitou o túmulo de seu filho Andrii, que foi morto em batalha na região de Donetsk no ano passado. Para ela, o plano de paz e a anistia proposta são inaceitáveis. “Não posso aceitar isso. Eles querem perdão por todos os crimes de guerra, incluindo Bucha? Isso é horrível”, desabafa.
Pressão por mudanças no plano de paz
Líderes europeus insistem que as conversas de paz devem incluir a Ucrânia e proteger sua soberania. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, diz que o plano representa um dos momentos mais difíceis da guerra, prometendo trabalhar com Washington, mas buscando alterações.
A curta distância de Bucha, parentes e vizinhos se reuniram para o funeral do soldado Ruslan Zhyhunov, um metralhador de 41 anos morto no leste da Ucrânia. A incerteza em torno do plano de paz pesava fortemente entre os presentes, que assistiam ao enterro sob a chuva.
Andrii Honcharuk, um voluntário aposentado de defesa territorial de 71 anos, questionou: “Como você pode trocar o território de seus ancestrais por algo? Por quê? A guerra não vai acabar em breve. Ainda vamos morrer por muito tempo.”