Marjorie Taylor Greene anuncia saída do Congresso após desentendimento com Trump
A congressista Marjorie Taylor Greene, da Geórgia, anunciou sua renúncia ao Congresso dos Estados Unidos, prevista para janeiro. A decisão veio após um desentendimento público com o ex-presidente Donald Trump, a quem já foi uma apoiadora leal.
Em um vídeo de mais de dez minutos postado online, Greene explicou sua decisão, afirmou que “sempre foi desprezada em Washington, D.C., e simplesmente nunca se encaixou”.
Desentendimento com Trump foi a gota d’água
O rompimento entre Greene e Trump veio após a congressista criticar o ex-presidente por sua postura em relação a arquivos relacionados a Jeffrey Epstein, além de política externa e saúde. Em resposta, Trump a chamou de “traidora” e “excêntrica” e disse que apoiaria um adversário contra ela nas próximas eleições.
Greene, que era uma das mais fervorosas e visíveis apoiadoras da política “Make America Great Again” de Trump, anunciou que seu último dia no cargo será em 5 de janeiro de 2026. Sua decisão de se demitir diante da oposição de Trump a coloca no mesmo caminho que muitos republicanos moderados que se atreveram a desafiar o ex-presidente.
Greene e suas polêmicas
Desde o início de sua carreira política, há cinco anos, Greene esteve fortemente ligada ao ex-presidente republicano. No entanto, ela também se destacou por suas visões muitas vezes além do mainstream, sendo até mesmo rotulada de “pára-raios” no Capitólio.
Ela apoiou a teoria da conspiração QAnon e apareceu com supremacistas brancos, atitudes que foram condenadas por líderes do partido, mas bem-vindas por Trump. Apesar disso, ao longo do tempo, Greene provou ser uma legisladora habilidosa, alinhando-se ao então líder do GOP, Kevin McCarthy, que viria a se tornar presidente da Câmara. Ela foi uma voz de confiança na ala direita, até que McCarthy foi deposto em 2023.
A aposentadoria de Greene, anunciada em meio a uma série de saídas de legisladores de ambos os partidos antes das eleições de meio de mandato do próximo ano, certamente causará um abalo nas fileiras e levantará questões sobre seus próximos passos.
Greene foi eleita pela primeira vez para a Câmara em 2020. Ela inicialmente planejava concorrer em um distrito competitivo nos subúrbios do norte de Atlanta, mas se mudou para o 14º Distrito, muito mais conservador, no canto noroeste da Geórgia.
Ela já era conhecida por sua retórica dura e teorias da conspiração antes mesmo de sua eleição, sugerindo que um tiroteio em massa em Las Vegas em 2017 foi um ataque coordenado para gerar apoio a novas restrições a armas. Em 2018, ela endossou a ideia de que o governo dos EUA perpetrara os ataques de 11 de setembro de 2001 e cogitou que um “suposto” avião atingira o Pentágono.

