“Sempre Nelson” é uma colcha de retalhos feita às pressas mas com bom resultado

Momentos memoráveis no delírio final de Nelson Rodrigues em cena na montagem dos alunos da Escola Wolf Maya, no Rio.

, da redação do PS paulosergio Publicada no dia 07/12/2015 às 11:43 Atualizado às 16:08 do dia 07/12

SEMPREUm Nelson Rodrigues “menino”, em seus últimos momentos de vida, louco por um cigarro, tem alucinações e vê seus personagens a seu redor. Essa é a história em torno de “Sempre Nelson”, a última montagem de 2015 da Escola de Atores Wolf Maya, no Rio de Janeiro.

Apesar de guiado por um competente Amado Ribeiro, o repórter que trabalhou com Nelson na redação dos noticiosos cariocas, o espetáculo se perde e deixa os desavisados que não conhecem a obra do autor sem entender o que se passa em cena.

O cenário é um dos pontos altos porém, poderia ser um pouco melhor. Em algumas posições na plateia – principalmente nas laterais – não é possível ver o que se passa dentro dos ambientes personalizados para cada uma das peças citadas no roteiro assinado por Oscar Saraiva.

Um acerto: a cenografia do espetáculo

Um acerto: a cenografia do espetáculo

Uma colcha de retalhos costurada pela narração de Amado Ribeiro (Victor Almeida) e com a encenação contida em cenários lúdicos que remetem à obra do dramaturgo.

A peça não é didática portanto, quem não conhece Nelson fica um pouco perdido. Para quem já tem uma certa intimidade com a obra dele chega a ser gostoso ver o desfile de personagens em cenas antológicas: Pola Negri de Vinicius Barros é um show a parte formando um núcleo de “Perdoa-me por me traíres” incrível com Armando Amaral – em dois papéis interessantes: Madame Luba e Deputado Jubileu, além da pobre e explorada Glorinha, de Sabrina Loureiro; Camila Murça é outro destaque que entrega bem sua Selminha de “O Beijo no Asfalto”, num momento ápice quando é estuprada na redação do jornal que difamava seu marido Arandir e Julli Roldão leva nas costas o seu “Anjo Negro” na medida certa da emoção.

Algumas atuações deixam a desejar talvez pelo processo de direção e inexperiência do jovem elenco. Ao buscar o tempo certo ou a emoção correta, alguns atores gritam em cena e perdem o melhor da festa: o texto muito bem escrito por aquele que é chamado de eterno.

O próprio Nelson (Higgo Gomes) – um menino perene aos 68 anos – tira proveito da atuação precisa de Victor Almeida e consegue um pouco de força apesar da fragilidade do espetáculo que peca também na iluminação de Pablo Cardoso. Momentos de completa escuridão demonstram a falta de tempo e de ensaio na realização da montagem.

Cena da montagem: "Sempre Nelson"

Cena da montagem: “Sempre Nelson”

No geral, “Sempre Nelson” é um espetáculo na medida, curto – pouco mais de quarenta minutos. Termina com uma situação que seria apoteótica: a morte do dramaturgo e um samba enredo escrito por Armando Amaral mas com pouco apuro na execução no palco: coreografia livre e desencontrada, instrumentação fraca e muito mal cantado. Se fosse uma escola de samba eles pecariam no quesito “harmonia”.

No quesito evolução, pouco se viu da estreia para a última apresentação. Um grande exercício válido para os integrantes do grupo e para a plateia como uma introdução à obra de um grande dramaturgo que merece todo nosso respeito.

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